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Classificação de Risco no SUS: A Bússola Que Salva Vidas na Emergência

O cenário de urgência e emergência no Brasil é desafiador. A sobrecarga e a superlotação dos serviços hospitalares e de pronto atendimento (PA) têm sido fatores decisivos. Nesses ambientes, a ordem de chegada nunca pode ser o critério para definir a assistência, pois a não diferenciação do risco e/ou grau de sofrimento pode levar ao agravamento ou até mesmo ao óbito do indivíduo.


Para combater a fragmentação do cuidado e garantir o acesso com equidade, o Sistema Único de Saúde (SUS) adotou um sistema rigoroso de estratificação de pacientes: o Acolhimento com Classificação de Risco (ACCR).



O Que É o Acolhimento com Classificação de Risco (ACCR)?


O ACCR é um instrumento fundamental, proposto pelo Ministério da Saúde (MS) por meio da Política Nacional de Humanização (PNH), que representa uma das intervenções mais decisivas para reorganizar o atendimento nos serviços de urgência.


O processo de ACCR une dois pilares essenciais:


  1. Acolhimento: Não é apenas um local, mas uma postura ética. Traduz-se na recepção do usuário, ouvindo sua queixa e permitindo que ele expresse suas preocupações, responsabilizando-se integralmente por ele. O acolhimento é uma ação de inclusão que permeia todos os momentos do serviço de saúde.


  2. Classificação de Risco (CR): É uma ferramenta técnica que visa reorganizar a porta de entrada, priorizando os pacientes mais graves para o atendimento. A CR é um processo dinâmico de identificação dos pacientes que necessitam de tratamento imediato, de acordo com o potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento.


É crucial entender que a Classificação de Risco não é um instrumento de diagnóstico de doença. Seu objetivo é, unicamente, determinar a prioridade clínica e hierarquizar o atendimento conforme a gravidade, abandonando a lógica da ordem de chegada.



O Protocolo de Manchester e o Sistema de Cores


Para que a classificação de risco seja padronizada e reproduzível, o Brasil utiliza protocolos estruturados. Mundialmente, existem diversos protocolos (como o Australian Triage Scale - ATS, o Canadian Emergency Department Triage and Acuity Scale - CTAS e o Emergency Severity Index - ESI), mas o Protocolo de Manchester (Manchester Triage System), criado na Inglaterra em 1997, é amplamente utilizado em hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no território brasileiro, muitas vezes em versões adaptadas.


O Protocolo de Manchester, ou protocolos adaptados, utiliza um sistema de cinco cores associadas a um tempo máximo de espera para o atendimento médico:


Cor

Prioridade

Nome

Tempo Alvo (Máximo)

Vermelho

Prioridade Máxima

Emergência

0 minutos (Imediato)

Laranja

Prioridade Alta

Muito Urgente

10 ou 15 minutos

Amarelo

Prioridade Média

Urgente

60 minutos

Verde

Prioridade Baixa

Pouco Urgente

120 minutos

Azul

Prioridade Mínima

Não Urgente

240 minutos (ou até 3 a 4 horas)


Essa classificação colorida ajuda a garantir que os pacientes em risco iminente de morte (Vermelho) sejam atendidos imediatamente. Para pacientes classificados como Verde ou Azul, a informação clara sobre o tempo provável de espera é um objetivo importante do processo de classificação.



Quem Classifica e o Que é Avaliado


O Papel Privativo do Enfermeiro


A classificação de risco e a priorização da assistência é uma atividade privativa do Enfermeiro no âmbito da Equipe de Enfermagem. O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) normatizou essa responsabilidade por meio da Resolução n.º 423/2012 (e posteriormente atualizada pela Resolução nº 661/2021).


Para executar o ACCR, o enfermeiro deve ter:


  • Treinamento específico para o protocolo adotado pela instituição.


  • Conhecimento e habilidades para a utilização desses protocolos.


  • Experiência no atendimento em urgências.


O profissional classificador avalia o paciente por meio de uma escuta qualificada e da análise de parâmetros subjetivos e objetivos. A avaliação é baseada em discriminadores—sinais e sintomas que selecionam o paciente para a prioridade mais alta.



Chaves de Decisão (Critérios de Avaliação)


O Protocolo Catarinense de Acolhimento com Classificação de Risco (PCACR) lista parâmetros indispensáveis que devem ser avaliados:


  1. Risco de Morte, Ausência ou Instabilidade de Sinais Vitais.


  2. Avaliação do Nível de Consciência (utilizando a Escala de Coma de Glasgow - ECG).


  3. Alteração da Pressão Arterial.


  4. Alteração do Padrão Respiratório.


  5. Avaliação da Dor (utilizando escalas como a Escala Visual Analógica - EVA).


  6. Fatores de Risco e Vulnerabilidade: Implica estar atento ao grau de sofrimento físico e psíquico.


  7. Alteração Glicêmica, Queimadura e outros sinais/sintomas específicos.


O enfermeiro deve ser capaz de realizar essa classificação com rapidez e eficiência, seguindo o protocolo adotado. É importante notar que, para garantir a segurança, o tempo médio recomendado pelo COFEN para a realização da classificação de risco é de quatro minutos, com um limite de até 15 classificações por hora.


O sistema de classificação de risco é, portanto, o motor que impulsiona a Rede de Atenção às Urgências (RUE), garantindo que a assistência seja direcionada de forma ética, eficaz e segura. O sucesso do sistema depende da sua aplicação uniforme e da articulação entre todos os serviços da rede.

 

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