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Do Diálogo à Segurança: Como a Abordagem Verbal Pode Evitar a Contenção Física na Prática Assistencial

A desescalada verbal, também conhecida como talking-down, é um processo interativo e complexo no qual o paciente em estado de agitação psicomotora (APM) é guiado para um estado de calma e maior controle emocional. Na prática clínica, é considerada a primeira intervenção terapêutica obrigatória, devendo ser tentada antes de qualquer medida invasiva, como a tranquilização farmacológica ou a contenção física.


Para a equipe de enfermagem, dominar essa técnica é essencial para garantir a segurança, reduzir o risco de violência e estabelecer uma aliança terapêutica com o paciente.

 


Postura e Segurança: A Linguagem Não Verbal


Antes de iniciar o diálogo, o profissional deve estar atento à sua própria linguagem corporal e ao ambiente. A comunicação não verbal compõe grande parte da carga emocional transmitida.


  • Espaço Pessoal: Mantenha uma distância de segurança de pelo menos dois braços de distância do paciente para evitar que ele se sinta acuado ou interprete o movimento como agressão.

  • Posicionamento: Nunca vire as costas para um paciente agitado e certifique-se de que tanto você quanto o paciente tenham uma rota de saída desobstruída.

  • Linguagem Corporal: Evite posturas provocativas ou ameaçadoras, como braços cruzados, mãos escondidas atrás das costas ou contato visual direto, prolongado e intenso.

  • Composição da Equipe: Recomenda-se que o atendimento não seja feito por um único profissional, mas apenas uma pessoa deve liderar o diálogo para não confundir o paciente.

 


Os 10 Princípios Fundamentais (Projeto BETA)


As diretrizes baseadas no projeto Best Practices in Evaluation and Treatment of Agitation (BETA) organizam a desescalada em dez domínios técnicos:

 

Domínio

Ação Técnica

1. Respeitar o espaço

Manter distância física e garantir saídas fáceis.

2. Não ser provocativo

Postura relaxada e mãos visíveis.

3. Contato verbal

Apenas um líder deve falar para estabelecer o vínculo.

4. Ser conciso

Usar frases curtas e linguagem simples.

5. Identificar desejos

Perguntar o que o paciente precisa ou está sentindo.

6. Ouvir atentamente

Praticar a escuta ativa e validar o discurso.

7. Concordar

Encontrar pontos de verdade ou concordar em discordar.

8. Estabelecer limites

Informar de forma firme que a violência não é aceitável.

9. Oferecer opções

Dar escolhas (ex: medicação oral vs. tempo sozinho).

10. Debriefing

Revisar o evento com o paciente e a equipe após a crise.


Técnicas de Comunicação Avançadas


Para que a desescalada seja efetiva, a enfermagem pode utilizar ferramentas específicas de persuasão e acolhimento:


  1. A Filosofia do "Sim": Evite respostas negativas diretas. Tente responder afirmativamente sempre que possível (ex: "Sim, podemos conversar sobre isso, mas primeiro precisamos...").

  2. Técnica dos Três Fs (Feel, Felt, Found): Ajuda a criar empatia. "Eu entendo como você se sente (feel). Outros na mesma situação também se sentiam (felt) assim, mas eles perceberam (found) que este remédio ajuda a acalmar".

  3. Ofertas de Conforto: Oferecer água (não quente), cobertores ou algo para comer apela às necessidades humanas básicas e ajuda a construir confiança.

 


O Mnemônico "AEIOU" no Atendimento


Utilizado em protocolos de suporte (como o SAMU), este guia sistematiza a abordagem:


  • A (Acolhimento): Postura empática e apresentação clara do profissional.

  • E (Escuta ativa): Compreender o sofrimento sem julgamentos moralizantes.

  • I (Identificação): Avaliar fatores de risco e proteção no contexto do paciente.

  • O (Orientações): Informar sobre os procedimentos e buscar soluções em conjunto.

  • U (Ultimação): Resumo dos acordos feitos e desfecho imediato do atendimento.

 


Considerações Finais para a Enfermagem


A desescalada verbal exige treinamento contínuo. É importante notar que, legalmente, o enfermeiro pode prescrever a contenção em protocolos compartilhados, enquanto técnicos e auxiliares executam sob supervisão. No entanto, a contenção física deve ser sempre o último recurso, utilizada apenas quando as técnicas verbais falharem e houver risco iminente de auto ou heteroagressão.


Atenção: Nunca minta para o paciente. Uma vez que a mentira é descoberta, a confiança é destruída e a violência pode escalar rapidamente.

 

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