Tipos de Insulina: Classificação, Indicações e Cuidados de Enfermagem
- praticenfgp
- 13 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
A insulina é um hormônio essencial para o metabolismo da glicose, e seu uso terapêutico é fundamental no controle do diabetes mellitus tipo 1, em muitos casos de diabetes tipo 2 e em condições clínicas específicas, como cetoacidose diabética (CAD) e síndrome hiperosmolar hiperglicêmica (SHH).
No Brasil, diversos tipos de insulina estão disponíveis, classificados conforme início de ação, pico e duração do efeito.
O conhecimento sobre suas características e o manejo correto é indispensável para a segurança do paciente e para a qualidade da assistência de enfermagem.
1. Classificação das Insulinas
As insulinas disponíveis podem ser divididas em quatro principais categorias:
Tipo de insulina | Início de ação | Pico de ação | Duração média |
Ultrarrápida (Lispro, Aspart, Glulisina) | 10–20 min | 1–3 h | 3–5 h |
Rápida (Regular) | 30–60 min | 2–4 h | 6–8 h |
Intermediária (NPH) | 1–2 h | 4–12 h | 12–18 h |
De longa duração (Glargina, Detemir, Degludeca) | 1–2 h | Sem pico definido | 24–42 h |
Há também preparações pré-misturadas (NPH + Regular ou NPH + Lispro/Aspart), usadas principalmente em tratamento ambulatorial.
2. Tipos de Insulina Disponíveis no Brasil
a) Insulinas Ultrarrápidas
· Exemplo: Lispro (Humalog®), Aspart (Novorapid®), Glulisina (Apidra®)
· Indicação: controle pós-prandial; deve ser aplicada imediatamente antes ou após as refeições.
· Ação: simulam a resposta fisiológica da insulina endógena.
· Cuidados: risco aumentado de hipoglicemia se a refeição for adiada.
Uso frequente em regimes intensivos, bombas de infusão contínua e protocolos hospitalares de controle glicêmico.
b) Insulina Rápida (Regular)
· Exemplo: Insulina Regular (Humulin R®, Novolin R®)
· Indicação: diabetes tipo 1 e tipo 2; cetoacidose diabética (via EV); controle glicêmico hospitalar.
· Ação: início entre 30–60 min, pico entre 2–4 h, duração de até 8 h.
· Administração EV: utilizada em protocolos de insulinoterapia intravenosa, especialmente em UTI.
Única insulina que pode ser administrada por via intravenosa.
c) Insulina Intermediária (NPH)
· Exemplo: Insulina NPH (Humulin N®, Novolin N®)
· Indicação: controle basal de glicemia em regime ambulatorial.
· Ação: início em 1–2 h, pico em 4–12 h, duração de até 18 h.
· Cuidados: deve ser homogeneizada antes do uso (suspensão turva).
· Administração: subcutânea, geralmente 2 vezes ao dia.
Risco de hipoglicemia noturna devido ao pico pronunciado.
d) Insulinas de Longa Duração
· Exemplo: Glargina (Lantus®, Toujeo®), Detemir (Levemir®), Degludeca (Tresiba®).
· Indicação: controle basal de glicemia com liberação prolongada e sem pico pronunciado.
· Ação: duração entre 24 e 42 horas, dependendo da formulação.
· Cuidados: não misturar com outras insulinas na mesma seringa.
Proporciona níveis glicêmicos mais estáveis, menor risco de hipoglicemia e maior adesão ao tratamento.
3. Combinações de Insulina (Pré-Misturadas)
· NPH + Regular (70/30)
· Aspart + NPH (70/30 FlexPen®)
· Lispro + NPH (Humalog Mix®)
Facilitam o uso em pacientes com rotina fixa, porém com menor flexibilidade para ajustes individualizados.
4. Cuidados de Enfermagem na Administração de Insulina
Aspecto | Conduta da Enfermagem |
Identificação da insulina | Verificar o tipo correto, concentração (U-100, U-200, etc.) e validade. |
Conservação | Armazenar entre 2°C e 8°C (refrigerada, sem congelar). Após aberta, pode permanecer até 30 dias em temperatura ambiente (<30°C). |
Homogeneização | Agitar suavemente as suspensões (ex.: NPH) até aspecto leitoso homogêneo. As insulinas transparentes (Regular, Lispro, Glargina) não devem ser agitadas. |
Via de administração | Subcutânea (preferencial), alternando locais: abdome, coxa, nádega, braço. Evitar áreas com lipodistrofia. |
Inspeção do local | Observar sinais de inflamação, endurecimento ou infecção. |
Sincronização com alimentação | Aplicar conforme o tipo de insulina e o horário das refeições. |
Monitorização glicêmica | Verificar glicemia capilar antes das doses e conforme protocolo institucional. |
Orientação ao paciente | Ensinar técnica correta, uso do glicosímetro, armazenamento e descarte de seringas/canetas. |
5. Cuidados Específicos na Terapia Intravenosa (UTI)
· Utilizar bomba de infusão para controle rigoroso da taxa.
· Monitorar glicemia a cada 1 hora (protocolo de controle glicêmico intensivo).
· Diluir insulina regular conforme protocolo institucional (geralmente 1 UI/mL em SF 0,9%).
· Suspender infusão após transição para via subcutânea, garantindo sobreposição de 1 a 2 horas para evitar hiperglicemia de rebote.
6. Complicações Relacionadas à Insulinoterapia
Complicação | Causa provável | Conduta de enfermagem |
Hipoglicemia (<70 mg/dL) | Excesso de insulina, jejum, atraso na refeição | Administrar 15 g de carboidrato de absorção rápida; monitorar; comunicar equipe médica. |
Lipodistrofia | Aplicações repetidas no mesmo local | Alternar locais e orientar paciente. |
Reações alérgicas locais | Hipersensibilidade à insulina ou componentes | Avaliar área, notificar e substituir formulação. |
Hiperglicemia persistente | Dose insuficiente, falha técnica ou erro de administração | Revisar técnica, dose, alimentação e glicemia capilar. |
7. Papel da Enfermagem na Educação em Saúde
O enfermeiro é peça-chave no manejo do paciente diabético.
Cabe à equipe:
· Avaliar a adesão ao tratamento.
· Reforçar a importância da automonitorização glicêmica.
· Corrigir mitos sobre aplicação e armazenamento.
· Promover educação continuada para prevenção de complicações agudas e crônicas.
A abordagem educativa reduz internações, melhora o controle metabólico e promove autonomia do paciente.
Referências Bibliográficas
Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da SBD 2023–2024. São Paulo: SBD, 2024.
American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes – 2024. Diabetes Care, 47(Suppl.1): S1–S188, 2024.
Smeltzer, S. C.; Bare, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.
Guyton, A. C.; Hall, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
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