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Tipos de Insulina: Classificação, Indicações e Cuidados de Enfermagem

A insulina é um hormônio essencial para o metabolismo da glicose, e seu uso terapêutico é fundamental no controle do diabetes mellitus tipo 1, em muitos casos de diabetes tipo 2 e em condições clínicas específicas, como cetoacidose diabética (CAD) e síndrome hiperosmolar hiperglicêmica (SHH).


No Brasil, diversos tipos de insulina estão disponíveis, classificados conforme início de ação, pico e duração do efeito.


O conhecimento sobre suas características e o manejo correto é indispensável para a segurança do paciente e para a qualidade da assistência de enfermagem.

 


1. Classificação das Insulinas

As insulinas disponíveis podem ser divididas em quatro principais categorias:

Tipo de insulina

Início de ação

Pico de ação

Duração média

Ultrarrápida (Lispro, Aspart, Glulisina)

10–20 min

1–3 h

3–5 h

Rápida (Regular)

30–60 min

2–4 h

6–8 h

Intermediária (NPH)

1–2 h

4–12 h

12–18 h

De longa duração (Glargina, Detemir, Degludeca)

1–2 h

Sem pico definido

24–42 h

Há também preparações pré-misturadas (NPH + Regular ou NPH + Lispro/Aspart), usadas principalmente em tratamento ambulatorial.

 


2. Tipos de Insulina Disponíveis no Brasil


a) Insulinas Ultrarrápidas

·       Exemplo: Lispro (Humalog®), Aspart (Novorapid®), Glulisina (Apidra®)

·       Indicação: controle pós-prandial; deve ser aplicada imediatamente antes ou após as refeições.

·       Ação: simulam a resposta fisiológica da insulina endógena.

·       Cuidados: risco aumentado de hipoglicemia se a refeição for adiada.


Uso frequente em regimes intensivos, bombas de infusão contínua e protocolos hospitalares de controle glicêmico.

 

b) Insulina Rápida (Regular)

·       Exemplo: Insulina Regular (Humulin R®, Novolin R®)

·       Indicação: diabetes tipo 1 e tipo 2; cetoacidose diabética (via EV); controle glicêmico hospitalar.

·       Ação: início entre 30–60 min, pico entre 2–4 h, duração de até 8 h.

·       Administração EV: utilizada em protocolos de insulinoterapia intravenosa, especialmente em UTI.


Única insulina que pode ser administrada por via intravenosa.

 

c) Insulina Intermediária (NPH)

·       Exemplo: Insulina NPH (Humulin N®, Novolin N®)

·       Indicação: controle basal de glicemia em regime ambulatorial.

·       Ação: início em 1–2 h, pico em 4–12 h, duração de até 18 h.

·       Cuidados: deve ser homogeneizada antes do uso (suspensão turva).

·       Administração: subcutânea, geralmente 2 vezes ao dia.


Risco de hipoglicemia noturna devido ao pico pronunciado.

 

d) Insulinas de Longa Duração

·       Exemplo: Glargina (Lantus®, Toujeo®), Detemir (Levemir®), Degludeca (Tresiba®).

·       Indicação: controle basal de glicemia com liberação prolongada e sem pico pronunciado.

·       Ação: duração entre 24 e 42 horas, dependendo da formulação.

·       Cuidados: não misturar com outras insulinas na mesma seringa.


Proporciona níveis glicêmicos mais estáveis, menor risco de hipoglicemia e maior adesão ao tratamento.

 


3. Combinações de Insulina (Pré-Misturadas)

·       NPH + Regular (70/30)

·       Aspart + NPH (70/30 FlexPen®)

·       Lispro + NPH (Humalog Mix®)


Facilitam o uso em pacientes com rotina fixa, porém com menor flexibilidade para ajustes individualizados.

 


4. Cuidados de Enfermagem na Administração de Insulina

 

Aspecto

Conduta da Enfermagem

Identificação da insulina

Verificar o tipo correto, concentração (U-100, U-200, etc.) e validade.

Conservação

Armazenar entre 2°C e 8°C (refrigerada, sem congelar). Após aberta, pode permanecer até 30 dias em temperatura ambiente (<30°C).

Homogeneização

Agitar suavemente as suspensões (ex.: NPH) até aspecto leitoso homogêneo. As insulinas transparentes (Regular, Lispro, Glargina) não devem ser agitadas.

Via de administração

Subcutânea (preferencial), alternando locais: abdome, coxa, nádega, braço. Evitar áreas com lipodistrofia.

Inspeção do local

Observar sinais de inflamação, endurecimento ou infecção.

Sincronização com alimentação

Aplicar conforme o tipo de insulina e o horário das refeições.

Monitorização glicêmica

Verificar glicemia capilar antes das doses e conforme protocolo institucional.

Orientação ao paciente

Ensinar técnica correta, uso do glicosímetro, armazenamento e descarte de seringas/canetas.

 

5. Cuidados Específicos na Terapia Intravenosa (UTI)


·       Utilizar bomba de infusão para controle rigoroso da taxa.

·       Monitorar glicemia a cada 1 hora (protocolo de controle glicêmico intensivo).

·       Diluir insulina regular conforme protocolo institucional (geralmente 1 UI/mL em SF 0,9%).

·       Suspender infusão após transição para via subcutânea, garantindo sobreposição de 1 a 2 horas para evitar hiperglicemia de rebote.

 


6. Complicações Relacionadas à Insulinoterapia

Complicação

Causa provável

Conduta de enfermagem

Hipoglicemia (<70 mg/dL)

Excesso de insulina, jejum, atraso na refeição

Administrar 15 g de carboidrato de absorção rápida; monitorar; comunicar equipe médica.

Lipodistrofia

Aplicações repetidas no mesmo local

Alternar locais e orientar paciente.

Reações alérgicas locais

Hipersensibilidade à insulina ou componentes

Avaliar área, notificar e substituir formulação.

Hiperglicemia persistente

Dose insuficiente, falha técnica ou erro de administração

Revisar técnica, dose, alimentação e glicemia capilar.


 

7. Papel da Enfermagem na Educação em Saúde


O enfermeiro é peça-chave no manejo do paciente diabético.


Cabe à equipe:

·       Avaliar a adesão ao tratamento.

·       Reforçar a importância da automonitorização glicêmica.

·       Corrigir mitos sobre aplicação e armazenamento.

·       Promover educação continuada para prevenção de complicações agudas e crônicas.


A abordagem educativa reduz internações, melhora o controle metabólico e promove autonomia do paciente.

 


Referências Bibliográficas

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da SBD 2023–2024. São Paulo: SBD, 2024.

American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes – 2024. Diabetes Care, 47(Suppl.1): S1–S188, 2024.

Smeltzer, S. C.; Bare, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.

Guyton, A. C.; Hall, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.

 

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