Sepse na UTI: O que Mudou e Como Evitar a Falência de Órgãos
- praticenfgp
- há 6 horas
- 2 min de leitura
Identificar a sepse precocemente é um dos maiores desafios e diferenciais de uma equipe de enfermagem de alta performance. Frequentemente, o paciente começa a apresentar sinais sutis, como sonolência, confusão mental ou aumento da frequência respiratória, que podem passar despercebidos se não houver um olhar atento e um raciocínio clínico apurado.
Neste artigo, vamos explorar as atualizações do manual da Surviving Sepsis de 2026 e como elas impactam diretamente o seu plantão.
O que é a Sepse?
Diferente do que muitos pensam, a sepse não é apenas uma infecção comum. Ela é uma resposta exagerada do organismo, onde as células de defesa liberam substâncias que acabam gerando complicações para todo o corpo. Esse processo provoca uma vasodilatação generalizada e o aumento da permeabilidade vascular, fazendo com que o líquido saia de dentro dos vasos para os tecidos (região intersticial). O resultado é uma hipovolemia e um choque circulatório que prejudica a chegada de oxigênio e nutrientes a órgãos como o cérebro, pulmões, rins e fígado.
Mudanças no Rastreio: Além do qSOFA
Uma das atualizações mais importantes do protocolo de 2026 é a recomendação de não utilizar apenas o qSOFA como ferramenta única de rastreio. O manual agora orienta o uso de tabelas e escalas mais sensíveis, como NEWS, MEWS ou SIRS, que conseguem identificar alterações precoces nos sinais vitais ou laboratoriais de forma muito mais eficaz.
Os Pilares da Intervenção Rápida
Detectar a sepse rapidamente é o primeiro passo para salvar a vida do paciente e evitar a temida disfunção múltipla de órgãos. Os principais pilares de intervenção incluem:
Antibioticoterapia em 1 Hora: O início do antibiótico deve ocorrer em, no máximo, uma hora após a suspeita clínica.
Coleta de Culturas: Devem ser realizadas antes do antibiótico, desde que isso não atrase o início do tratamento.
Otimização Hemodinâmica: A recomendação de 30 ml/kg de volume permanece, mas o protocolo agora reforça que essa medida deve ser individualizada, especialmente para pacientes cardiopatas ou renais.
Droga Vasoativa Precoce: Se o volume não for suficiente para estabilizar a pressão, a droga vasoativa deve ser iniciada rapidamente, sem esperar que toda a reposição volêmica termine.
Novas Metas de Pressão para Idosos
A meta de Pressão Arterial Média (PAM) ideal para manter a perfusão dos órgãos é de 65 mmHg. No entanto, o manual de 2026 traz uma atualização específica para pacientes com mais de 65 anos: para esse grupo, a recomendação é manter a meta de PAM entre 60 e 65 mmHg.
Erros Comuns e Comunicação Assertiva
Um erro grave é esperar a "certeza" da infecção para iniciar o antibiótico; a suspeita já é motivo suficiente para agir. Além disso, ao identificar a piora do paciente, o enfermeiro deve utilizar ferramentas como o SBAR para comunicar-se de forma técnica e clara com o médico, sugerindo a abertura do protocolo de sepse quando necessário.
Assista ao vídeo completo para entender a fisiopatologia e o manejo prático da sepse na UTI:
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