Diretrizes para o Cuidado do Diabetes 2026: Principais Atualizações e Mudanças
- praticenfgp
- há 16 minutos
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O tratamento do diabetes é um campo que evolui rapidamente com o surgimento de novas pesquisas, tecnologias e tratamentos. Anualmente, a American Diabetes Association (ADA) publica o seu "Standards of Care in Diabetes", um recurso abrangente que define as metas de tratamento e fornece ferramentas para melhorar a qualidade do cuidado em diversas populações. A edição de 2026 traz atualizações significativas que reforçam a importância de uma abordagem centrada na pessoa e a integração de novas tecnologias e terapias farmacológicas.
O Que Há de Novo em 2026?
As mudanças nesta edição refletem um esforço contínuo para individualizar o tratamento e lidar com as complicações de forma mais proativa.
1. Linguagem e Endossos
As diretrizes de 2026 continuam a priorizar o uso de linguagem inclusiva e que prioriza a pessoa, visando empoderar os indivíduos com diabetes. Além disso, novas seções receberam endossos de organizações renomadas: a National Kidney Foundation (NKF) revisou a seção sobre Doença Renal Crônica, e a International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes (ISPAD) endossou a seção sobre Crianças e Adolescentes.
2. Tecnologia no Diabetes
A tecnologia avançou para o centro das recomendações.
Acesso e Iniciação: Recomenda-se a iniciação precoce de dispositivos de monitoramento contínuo de glicose (CGM) e sistemas de aplicação automatizada de insulina (AID), independentemente do nível de A1C ou tempo de diagnóstico.
Novas Categorias: A classificação de CGM foi atualizada para incluir três tipos: CGM em tempo real (rtCGM), CGM de venda livre (OTC-CGM) e CGM profissional. O termo "CGM escaneado intermitentemente" (isCGM) não é mais utilizado como padrão atual.
AID no Tipo 2: Sistemas de AID podem agora ser considerados para pessoas com diabetes tipo 2 em uso de insulina basal que não atingem suas metas glicêmicas.
3. Novas Fronteiras Farmacológicas
O uso de terapias baseadas em incretinas e novos agentes cardiorrenais ganhou destaque:
Insuficiência Cardíaca e MASH: Para pacientes com diabetes tipo 2 e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF), ou com doenças hepáticas como MASLD/MASH, recomenda-se o uso de agonistas duplos dos receptores de GIP e GLP-1 ou agonistas de GLP-1 com benefícios demonstrados.
Doença Renal Crônica (DRC): Uma nova recomendação sugere a iniciação simultânea de um inibidor de SGLT2 e um antagonista mineralocorticoide não esteroidal (nsMRA) em indivíduos com diabetes tipo 2 e indicadores específicos de risco renal.
Transplantes: Foram adicionadas recomendações específicas para o manejo glicêmico em adultos pós-transplante de órgãos.
4. Manejo de Comorbidades e Saúde Mental
Saúde Óssea: As diretrizes agora trazem critérios mais específicos para o tratamento de osteoporose em idosos com diabetes, baseados no T-score e no risco de fratura.
Saúde Mental: Foi incluído o rastreio anual de sintomas de ansiedade e o rastreio para o medo da hipoglicemia, com encaminhamento para profissionais de saúde comportamental quando necessário.
Saúde do Sono: Recomenda-se o rastreio da saúde do sono tanto para pessoas com diabetes quanto para aquelas em risco de desenvolver a doença.
5. Populações Específicas
Idosos: A meta de pressão arterial foi refinada para <130/80 mmHg na maioria dos idosos, desde que possa ser alcançada com segurança. O processo "4S Pathway" foi introduzido para orientar a simplificação e a desintensificação do tratamento.
Gravidez: A recomendação para o início ou ajuste da terapia anti-hipertensiva foi definida no limite de 140/90 mmHg. Também há novas orientações sobre a descontinuação de terapias de GLP-1 antes da concepção.
Pediatria: O uso de inteligência artificial para o rastreio de retinopatia e a inclusão de novas terapias como agonistas duplos GIP/GLP-1 foram adicionados para a população pediátrica.
Conclusão
As atualizações de 2026 reforçam que o cuidado do diabetes vai muito além do controle da glicose, abrangendo a saúde cardiovascular, renal, hepática e psicossocial. O uso inteligente da tecnologia e a aplicação de novas terapias farmacológicas oferecem melhores perspectivas para a redução de complicações a longo prazo.
Bibliografia
American Diabetes Association Professional Practice Committee. Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care 2026;49(Suppl. 1):S1–S362.
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