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Atualizações no Atendimento à Dor Torácica: O que há de novo na Diretriz 2025


A dor torácica é um dos sintomas mais comuns nas unidades de emergência, representando cerca de 5% de todos os atendimentos e até 40% das admissões hospitalares. No entanto, o desafio clínico é imenso: embora a Síndrome Coronariana Aguda (SCA) seja a principal causa de morte específica, apenas 5% a 20% dos pacientes com dor no peito no pronto-socorro realmente apresentam um quadro isquêmico agudo. Para organizar o fluxo de atendimento e garantir a segurança do paciente, a nova Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025 traz atualizações fundamentais em diagnósticos, fluxogramas e tecnologias.


Neste artigo, exploramos as principais mudanças que visam transformar o atendimento, desde o primeiro contato médico até a decisão de alta ou internação.



1. A Regra de Ouro: ECG em até 10 minutos


A rapidez continua sendo o pilar central. A recomendação Classe I é que todo paciente com suspeita de isquemia deve realizar e ter interpretado um eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações em no máximo 10 minutos após a chegada à unidade.


A diretriz reforça que a avaliação detalhada da dor não deve atrasar a realização do exame. Além disso, o protocolo de triagem (como o de Manchester) deve classificar esses pacientes com as cores vermelha ou laranja para garantir essa agilidade. Outra novidade é o uso do acrônimo MOVE (Monitorização, O2 se Sat < 90%, Acesso Venoso e ECG) para sistematizar a abordagem inicial.



2. Além do "Supra": Novos Padrões de Oclusão Coronária


Uma das atualizações mais importantes no diagnóstico por imagem elétrica é a busca ativa por "equivalentes de supradesnível de ST". A diretriz destaca que oclusões coronárias graves podem ocorrer sem os critérios clássicos de IAM com supra. Devem ser buscados padrões como:


  • De Winter: ondas T altas e proeminentes precedidas de depressão do segmento ST.

  • Síndrome de Wellens: ondas T profundamente invertidas ou bifásicas em V2 e V3, indicando obstrução crítica na artéria descendente anterior.

  • Padrão de Aslanger: elevação isolada em DIII com depressões em outras derivações.



3. Troponina de Alta Sensibilidade e Algoritmos Rápidos


O uso da troponina cardíaca de alta sensibilidade (TCas) consolidou-se como o marcador de escolha, permitindo diagnósticos mais precoces e descartes mais seguros. A diretriz recomenda priorizar os algoritmos de 0-1h ou 0-2h.


  • Rule-out (Descarte): Pacientes com níveis muito baixos em sintomas iniciados há mais de 3 horas podem ser liberados para investigação ambulatorial com segurança.

  • Rule-in (Admissão): Níveis elevados ou variações (delta) significativas confirmam a injúria miocárdica e exigem internação para tratamento.



4. Escore HEART: O Aliado na Decisão Clínica


Para pacientes cujo ECG e troponina não definem o diagnóstico imediatamente (zona intermediária), o uso de escores clínicos é essencial para evitar altas inadvertidas. O escore HEART é o preferencial, avaliando História, ECG, Idade, Fatores de Risco e Troponina. Um HEART score ≤ 3 associado a exames normais permite a alta com risco de eventos cardiovasculares menores que 1% em 6 semanas.



5. O Papel das Unidades de Dor Torácica (UDTs)


As UDTs não são necessariamente espaços físicos novos, mas fluxos e processos sistematizados baseados nas melhores práticas. Elas visam reduzir o tempo de internação e os custos, evitando que leitos de alta complexidade sejam ocupados por pacientes de baixo risco, ao mesmo tempo em que salvam vidas ao aplicar terapias baseadas em evidências de forma precoce.



6. Diagnósticos Diferenciais e Novas Tecnologias


A diretriz enfatiza que a dor torácica não é apenas "coração". Causas letais como dissecção de aorta, tromboembolismo pulmonar (TEP) e pneumotórax hipertensivo devem ser investigadas ativamente com o apoio do POCUS (ultrassom à beira-leito) e angiotomografia. Nos casos de TINOCA (injúria miocárdica com coronárias sem obstrução), a Ressonância Magnética Cardiovascular tornou-se a ferramenta de escolha para diferenciar infarto de miocardites ou Síndrome de Takotsubo.


Conclusão: A atualização 2025 da diretriz reforça que o sucesso no manejo da dor torácica depende de uma equipe treinada, protocolos objetivos e o uso racional da tecnologia. Tempo é músculo, e cada minuto conta para mudar o desfecho de um paciente.



Bibliografia

de Barros e Silva PGM, Soeiro AM, Ornelas CE, Feitosa-Filho GS, Lopes RD, Lino DOC, et al. Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025; 122(9):e20250620.



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