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O Futuro do Cuidado no AVC: Novidades e Mudanças da Diretriz 2026


O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. O AVC isquêmico, especificamente, ocorre quando há uma obstrução do fluxo sanguíneo para o cérebro e representa mais de 80% de todos os casos nos Estados Unidos e mais de 60% globalmente. Quase metade das pessoas que sobrevivem por mais de seis meses após um evento dependem de ajuda para pelo menos uma atividade da vida diária. Para enfrentar esse desafio, a American Heart Association (AHA) e a American Stroke Association (ASA) publicaram a "Diretriz 2026 para o Manejo Precoce de Pacientes com AVC Isquêmico Agudo", que atualiza e substitui as recomendações de 2018 e 2019.


Abaixo, detalhamos as principais novidades e mudanças que definirão a prática clínica nos próximos anos.



1. Unidades Móveis de AVC (MSUs)


Uma das maiores ênfases da nova diretriz é o papel das Unidades Móveis de AVC (MSUs). Estudos recentes demonstraram que essas unidades permitem a identificação e o tratamento mais rápidos de pacientes elegíveis para trombólise em comparação com os serviços de emergência convencionais.

Por isso, a diretriz agora recomenda o uso de MSUs, quando disponíveis, para garantir o menor tempo possível entre o início dos sintomas e o tratamento, melhorando os resultados funcionais dos pacientes.



2. Avanços na Trombólise Intravenosa (IVT)


A trombólise intravenosa continua sendo um pilar do manejo médico, mas com mudanças importantes na escolha do medicamento:


  • Tenecteplase (TNK): Com base em diversos estudos internacionais que mostraram sua não inferioridade e potenciais vantagens, a nova diretriz agora endossa o uso de alteplase ou tenecteplase (na dose de 0,25 mg/kg) dentro da janela de 4,5 horas.

  • Janela Estendida: Para pacientes selecionados com AVC de início desconhecido ou que chegam entre 4,5 e 9 horas após o início dos sintomas, a diretriz apoia o uso de trombólise baseada em critérios de imagem avançada (como o mismatch entre difusão e perfusão).

  • Déficits Incapacitantes: Enfatiza-se o tratamento rápido em pacientes com déficits incapacitantes, independentemente da pontuação na escala NIHSS, sem a necessidade de seleção por imagem avançada dentro das primeiras 4,5 horas.



3. Expansão da Trombectomia Endovascular (EVT)


A trombectomia endovascular (EVT) teve suas indicações significativamente expandidas:


  • Núcleos Isquêmicos Maiores: Evidências recentes permitem agora a aplicação da EVT em populações que antes eram consideradas inelegíveis por apresentarem áreas de infarto já estabelecidas maiores na imagem diagnóstica.

  • Oclusão da Artéria Basilar: Há agora uma forte recomendação para EVT em pacientes com oclusão da artéria basilar que se apresentam em até 24 horas do início dos sintomas e possuem uma pontuação NIHSS ≥10.

  • População Pediátrica: Pela primeira vez, a diretriz traz recomendações focadas para crianças. A EVT pode ser eficaz em pacientes pediátricos com ≥6 anos em janelas de 6 a 24 horas, e pode ser razoável em crianças de 28 dias a 6 anos, desde que realizada por especialistas experientes.



4. Novos Limites para Pressão Arterial e Glicemia


O manejo de suporte intra-hospitalar foi ajustado para evitar tratamentos excessivamente agressivos que podem causar danos:


  • Pressão Arterial (PA): A redução intensiva da pressão arterial sistólica para menos de 140 mmHg não é recomendada após a trombólise e pode ser prejudicial após a trombectomia.

  • Controle Glicêmico: O controle intensivo da glicose (alvo de 80 a 130 mg/dL) não é recomendado, pois não melhora os resultados clínicos e aumenta significativamente o risco de hipoglicemia grave.



5. Prevenção Secundária Precoce


Para pacientes com AVC isquêmico menor não cardioembólico ou ataque isquêmico transitório (AIT) de alto risco, a terapia antiplaquetária dupla (DAPT) com clopidogrel e aspirina por 21 dias é considerada razoável para reduzir o risco de recorrência em 90 dias, especialmente quando há suspeita de causa aterosclerótica.


Referência Bibliográfica:

Prabhakaran S. et al. 2026 Guideline for the early management of patients with acute ischemic stroke: a guideline from the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke. 2026.


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