Guia de Farmacologia na Intubação: Como Escolher o Medicamento Certo para Cada Paciente?
- praticenfgp
- há 1 dia
- 2 min de leitura
A intubação orotraqueal em ambiente de emergência ou UTI vai muito além da habilidade técnica de passar o tubo. O sucesso do procedimento e a segurança do paciente dependem diretamente da Sequência Rápida de Intubação (SRI), um processo que envolve a escolha estratégica de medicamentos.
Para o profissional de enfermagem e médicos intensivistas, entender por que se escolhe uma droga em detrimento de outra é o que diferencia uma assistência padrão de uma assistência de alta performance.
A Ordem dos Fatores Altera o Produto
Na SRI, a sequência das medicações é lógica e obrigatória: analgesia/pré-tratamento, indução (sedação) e, por fim, o bloqueio neuromuscular. É fundamental nunca iniciar pelo bloqueador neuromuscular, pois não se deve paralisar os músculos de um paciente que ainda está consciente.
1. Pré-tratamento e Analgesia
Embora não seja obrigatório em todos os protocolos, o pré-tratamento visa diminuir a resposta dolorosa à laringoscopia.
Fentanyl: Tradicionalmente usado para analgesia, mas seu uso em pacientes graves tem diminuído devido ao risco de hipotensão.
Lidocaína: Ganhou destaque durante a pandemia para evitar o reflexo da tosse durante o procedimento.
2. Indução (Sedação): O Coração da SRI
Nesta fase, o objetivo é a inconsciência rápida. A escolha depende da estabilidade do paciente:
Ketamina (Quetamina): A "queridinha" para pacientes instáveis. Ela é cardioestável, aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca (estímulo simpático), além de ser um excelente broncodilatador. É a escolha ideal para pacientes em choque, hipotensos ou com broncoespasmo (como asmáticos).
Etomidato: Também cardioestável, sendo muito seguro para evitar a hipotensão no momento da intubação. O ponto de atenção é o risco de supressão adrenal momentânea, o que exige cautela em pacientes sépticos.
Propofol: Muito rápido e com meia-vida curta, mas é um cardiodepressor. Deve ser evitado em pacientes chocados ou hipotensos devido ao alto risco de queda na pressão.
Midazolam (Dormonid): Frequentemente utilizado por ser o mais disponível, mas deve ser evitado em pacientes graves e hipotensos por ter um efeito demorado e também ser cardiodepressor.
3. Bloqueadores Neuromusculares
O bloqueio é essencial para relaxar a musculatura e facilitar a visão da via aérea:
Succinilcolina: É o mais comum no carrinho de emergência por ter efeito rápido e duração curta. Atenção: deve ser evitada em pacientes com potássio alto, grandes queimados ou acamados de longa data, pois pode causar hipercalemia grave e arritmias fatais.
Rocurônio: Utilizado quando a succinylcolina é contraindicada. Tem um efeito mais prolongado, mas possui a vantagem de ter um antagonista (Sugamadex) para reverter o bloqueio se necessário.
Estudo de Caso: Paciente Hipotenso com Broncoespasmo
Imagine uma paciente com pressão baixa e dificuldade respiratória grave por broncoespasmo. Qual a melhor combinação? De acordo com as evidências, a escolha ideal seria Ketamina e Succinilcolina. A ketamina ajudaria na estabilidade da pressão e na broncodilatação, enquanto a succinilcolina garantiria o relaxamento rápido necessário para a intubação segura.
Conclusão: A escolha do medicamento não é aleatória; ela é uma decisão clínica baseada na fisiopatologia do paciente. Dominar esses conceitos é essencial para prevenir paradas cardiorrespiratórias durante a intubação.
Assista ao vídeo completo aqui: MEDICAMENTOS USADOS NA INTUBAÇÃO | QUAL É O MAIS INDICADO PARA CADA TIPOD E PACIENTE?
Gostou dessa informação? Então compartilhe esse conteúdo.
Siga a gente no IG @praticaenfermagem para saber mais.
Conheça nossos cursos: https://www.praticaenfermagem.com/
Conheça nossa pós-graduação: https://praticaensino.com.br/




Comentários