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Quantos Tipos de Diabetes Existem? Entenda a Classificação Completa e Atualizada

O diabetes mellitus (DM) é uma das doenças crônicas mais prevalentes no mundo, associada à hiperglicemia persistente devido a defeitos na secreção ou na ação da insulina. Embora a maior parte dos profissionais esteja familiarizada apenas com o Diabetes tipo 1 e tipo 2, a classificação oficial e internacionalmente reconhecida é muito mais ampla.


Segundo as Diretrizes da American Diabetes Association (ADA 2024), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD 2023–2024), o diabetes é dividido em 4 grandes categorias, mas dentro do grupo de “outros tipos específicos”, existem diversos subtipos clínicos e genéticos, o que leva alguns autores a descrever até 11 ou 13 tipos distintos da doença.



As Quatro Categorias Principais de Diabetes Mellitus


1. Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1)


O DM1 é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, levando à deficiência absoluta de insulina.


Pode ser dividido em dois subtipos:

  • Tipo 1A (autoimune): presença de autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2, anti-insulina).

  • Tipo 1B (idiopático): ausência de autoanticorpos detectáveis, mas com perda funcional das células beta.


Representa cerca de 5 a 10% de todos os casos de diabetes.


2. Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2)


O DM2 é causado por resistência à insulina associada a uma disfunção progressiva das células beta. É a forma mais comum, responsável por cerca de 90% dos casos.


  • Fortemente associado à obesidade central, sedentarismo, síndrome metabólica e histórico familiar.

  • Frequentemente diagnosticado tardiamente, após anos de hiperglicemia silenciosa.

  • Pode evoluir da terapia oral para a necessidade de insulina.


3. Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)


O diabetes gestacional é diagnosticado pela primeira vez durante a gestação, em mulheres sem histórico prévio da doença.Surge devido à resistência insulínica induzida por hormônios placentários, como o lactogênio placentário humano.


  • Geralmente aparece entre a 24ª e 28ª semana de gestação.

  • Aumenta o risco de macrossomia fetal, hipoglicemia neonatal, pré-eclâmpsia e diabetes tipo 2 futuro.

  • Diagnóstico confirmado pelo Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g de glicose.


4. Outros Tipos Específicos de Diabetes


É neste grupo que se encontram os subtipos menos comuns, mas clinicamente relevantes.Eles decorrem de causas genéticas, endócrinas, infecciosas, pancreáticas ou medicamentosas.Aqui nasce a contagem ampliada que leva a 11, 13 ou mais tipos reconhecidos de diabetes.



Os Subtipos de Diabetes Incluídos em “Outros Tipos Específicos”


4.1. Diabetes Monogênico (MODY – Maturity-Onset Diabetes of the Young)


Ocorre por mutações genéticas únicas que afetam a secreção de insulina.São herdados de forma autossômica dominante e surgem geralmente antes dos 25 anos.


Principais subtipos:

  • MODY 1 (HNF4A): responde bem a sulfonilureias.

  • MODY 2 (GCK): hiperglicemia leve e estável, sem complicações graves.

  • MODY 3 (HNF1A): progressivo, requer tratamento precoce.

  • Outros (MODY 4 a 14): menos comuns, podendo envolver malformações pancreáticas ou renais.


São raros, mas podem representar até 2% dos casos diagnosticados como “tipo 2”.


4.2. Diabetes Secundário a Doenças do Pâncreas Exócrino


Resulta da lesão direta do tecido pancreático, comprometendo a secreção de insulina.Causas principais:

  • Pancreatite crônica

  • Neoplasias pancreáticas

  • Pancreatectomia (retirada cirúrgica do pâncreas)

  • Fibrose cística

  • Hemocromatose


4.3. Diabetes Secundário a Endocrinopatias


Aparece em doenças que aumentam a produção de hormônios que antagonizam a insulina, como:

  • Síndrome de Cushing (excesso de cortisol)

  • Acromegalia (excesso de GH)

  • Feocromocitoma (excesso de catecolaminas)

  • Hipertireoidismo (aumento do metabolismo basal)


4.4. Diabetes Induzido por Medicamentos


Diversos fármacos podem causar hiperglicemia ao interferirem na secreção ou ação da insulina:

  • Corticoides

  • Betabloqueadores

  • Diuréticos tiazídicos

  • Antipsicóticos atípicos

  • Inibidores de protease (em pacientes HIV+)


A suspensão ou substituição da medicação pode normalizar a glicemia.


4.5. Diabetes Secundário a Infecções


Alguns vírus têm tropismo pelas células beta pancreáticas:

  • Citomegalovírus (CMV)

  • Coxsackie B

  • Rubéola congênita

  • Hepatite C (crônica)


Essas infecções podem causar destruição autoimune ou direta das células beta.


4.6. Diabetes Neonatal


Ocorre nas primeiras semanas de vida devido a mutações genéticas que comprometem a secreção de insulina.


Pode ser:

  • Transitório: remite espontaneamente após 2–3 meses.

  • Permanente: exige terapia contínua com insulina ou sulfonilureias específicas.


4.7. Diabetes Pós-Transplante ou Induzido por Imunossupressores


Associado ao uso de imunossupressores (tacrolimo, ciclosporina, corticoides) após transplantes de órgãos sólidos.A glicemia deve ser monitorada rotineiramente nesses pacientes.



Resumo — Quantos Tipos de Diabetes Existem?

Categoria Principal

Subtipos ou Exemplos

Contagem aproximada

Tipo 1

Autoimune (1A), Idiopático (1B)

2

Tipo 2

1

Gestacional

1

Outros específicos

Monogênico (até 14 variantes MODY), pancreático, endócrino, infeccioso, medicamentoso, neonatal, pós-transplante

8 a 10

Total estimado

11 a 13 tipos reconhecidos clinicamente

A variação depende do nível de detalhamento adotado — alguns autores consideram cada MODY como um tipo separado, outros agrupam como uma única categoria.



Papel da Enfermagem Frente à Diversidade dos Tipos de Diabetes


Com a ampliação dos diagnósticos e tratamentos personalizados, a enfermagem desempenha papel fundamental em:


  • Reconhecimento precoce de sintomas e complicações.

  • Educação em saúde sobre automonitorização, dieta e uso correto de insulina ou hipoglicemiantes.

  • Acompanhamento clínico de pacientes em uso de medicamentos hiperglicemiantes (corticoides, imunossupressores).

  • Monitorização rigorosa de glicemia em pacientes críticos ou pós-transplante.

  • Orientação familiar e emocional, especialmente em diabetes infantil ou gestacional.


A atuação da enfermagem é essencial para prevenir descompensações agudas (como cetoacidose e síndrome hiperosmolar) e promover adesão terapêutica segura e contínua.



Referências Bibliográficas

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Diretrizes da SBD 2023–2024. São Paulo: SBD, 2024.

  2. American Diabetes Association (ADA). Standards of Medical Care in Diabetes – 2024. Diabetes Care, 47(Suppl.1): S1–S188, 2024.

  3. World Health Organization (WHO). Classification of Diabetes Mellitus. Geneva: WHO, 2022.

  4. Holt, R. I. G. et al. Textbook of Diabetes. 6. ed. Wiley-Blackwell, 2021.

  5. Guyton, A. C.; Hall, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.

  6. Smeltzer, S. C.; Bare, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Guanabara Koogan, 2020.


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