Quantos Tipos de Diabetes Existem? Entenda a Classificação Completa e Atualizada
- praticenfgp
- 1 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
O diabetes mellitus (DM) é uma das doenças crônicas mais prevalentes no mundo, associada à hiperglicemia persistente devido a defeitos na secreção ou na ação da insulina. Embora a maior parte dos profissionais esteja familiarizada apenas com o Diabetes tipo 1 e tipo 2, a classificação oficial e internacionalmente reconhecida é muito mais ampla.
Segundo as Diretrizes da American Diabetes Association (ADA 2024), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD 2023–2024), o diabetes é dividido em 4 grandes categorias, mas dentro do grupo de “outros tipos específicos”, existem diversos subtipos clínicos e genéticos, o que leva alguns autores a descrever até 11 ou 13 tipos distintos da doença.
As Quatro Categorias Principais de Diabetes Mellitus
1. Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1)
O DM1 é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, levando à deficiência absoluta de insulina.
Pode ser dividido em dois subtipos:
Tipo 1A (autoimune): presença de autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2, anti-insulina).
Tipo 1B (idiopático): ausência de autoanticorpos detectáveis, mas com perda funcional das células beta.
Representa cerca de 5 a 10% de todos os casos de diabetes.
2. Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2)
O DM2 é causado por resistência à insulina associada a uma disfunção progressiva das células beta. É a forma mais comum, responsável por cerca de 90% dos casos.
Fortemente associado à obesidade central, sedentarismo, síndrome metabólica e histórico familiar.
Frequentemente diagnosticado tardiamente, após anos de hiperglicemia silenciosa.
Pode evoluir da terapia oral para a necessidade de insulina.
3. Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)
O diabetes gestacional é diagnosticado pela primeira vez durante a gestação, em mulheres sem histórico prévio da doença.Surge devido à resistência insulínica induzida por hormônios placentários, como o lactogênio placentário humano.
Geralmente aparece entre a 24ª e 28ª semana de gestação.
Aumenta o risco de macrossomia fetal, hipoglicemia neonatal, pré-eclâmpsia e diabetes tipo 2 futuro.
Diagnóstico confirmado pelo Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g de glicose.
4. Outros Tipos Específicos de Diabetes
É neste grupo que se encontram os subtipos menos comuns, mas clinicamente relevantes.Eles decorrem de causas genéticas, endócrinas, infecciosas, pancreáticas ou medicamentosas.Aqui nasce a contagem ampliada que leva a 11, 13 ou mais tipos reconhecidos de diabetes.
Os Subtipos de Diabetes Incluídos em “Outros Tipos Específicos”
4.1. Diabetes Monogênico (MODY – Maturity-Onset Diabetes of the Young)
Ocorre por mutações genéticas únicas que afetam a secreção de insulina.São herdados de forma autossômica dominante e surgem geralmente antes dos 25 anos.
Principais subtipos:
MODY 1 (HNF4A): responde bem a sulfonilureias.
MODY 2 (GCK): hiperglicemia leve e estável, sem complicações graves.
MODY 3 (HNF1A): progressivo, requer tratamento precoce.
Outros (MODY 4 a 14): menos comuns, podendo envolver malformações pancreáticas ou renais.
São raros, mas podem representar até 2% dos casos diagnosticados como “tipo 2”.
4.2. Diabetes Secundário a Doenças do Pâncreas Exócrino
Resulta da lesão direta do tecido pancreático, comprometendo a secreção de insulina.Causas principais:
Pancreatite crônica
Neoplasias pancreáticas
Pancreatectomia (retirada cirúrgica do pâncreas)
Fibrose cística
Hemocromatose
4.3. Diabetes Secundário a Endocrinopatias
Aparece em doenças que aumentam a produção de hormônios que antagonizam a insulina, como:
Síndrome de Cushing (excesso de cortisol)
Acromegalia (excesso de GH)
Feocromocitoma (excesso de catecolaminas)
Hipertireoidismo (aumento do metabolismo basal)
4.4. Diabetes Induzido por Medicamentos
Diversos fármacos podem causar hiperglicemia ao interferirem na secreção ou ação da insulina:
Corticoides
Betabloqueadores
Diuréticos tiazídicos
Antipsicóticos atípicos
Inibidores de protease (em pacientes HIV+)
A suspensão ou substituição da medicação pode normalizar a glicemia.
4.5. Diabetes Secundário a Infecções
Alguns vírus têm tropismo pelas células beta pancreáticas:
Citomegalovírus (CMV)
Coxsackie B
Rubéola congênita
Hepatite C (crônica)
Essas infecções podem causar destruição autoimune ou direta das células beta.
4.6. Diabetes Neonatal
Ocorre nas primeiras semanas de vida devido a mutações genéticas que comprometem a secreção de insulina.
Pode ser:
Transitório: remite espontaneamente após 2–3 meses.
Permanente: exige terapia contínua com insulina ou sulfonilureias específicas.
4.7. Diabetes Pós-Transplante ou Induzido por Imunossupressores
Associado ao uso de imunossupressores (tacrolimo, ciclosporina, corticoides) após transplantes de órgãos sólidos.A glicemia deve ser monitorada rotineiramente nesses pacientes.
Resumo — Quantos Tipos de Diabetes Existem?
Categoria Principal | Subtipos ou Exemplos | Contagem aproximada |
Tipo 1 | Autoimune (1A), Idiopático (1B) | 2 |
Tipo 2 | — | 1 |
Gestacional | — | 1 |
Outros específicos | Monogênico (até 14 variantes MODY), pancreático, endócrino, infeccioso, medicamentoso, neonatal, pós-transplante | 8 a 10 |
Total estimado | — | 11 a 13 tipos reconhecidos clinicamente |
A variação depende do nível de detalhamento adotado — alguns autores consideram cada MODY como um tipo separado, outros agrupam como uma única categoria.
Papel da Enfermagem Frente à Diversidade dos Tipos de Diabetes
Com a ampliação dos diagnósticos e tratamentos personalizados, a enfermagem desempenha papel fundamental em:
Reconhecimento precoce de sintomas e complicações.
Educação em saúde sobre automonitorização, dieta e uso correto de insulina ou hipoglicemiantes.
Acompanhamento clínico de pacientes em uso de medicamentos hiperglicemiantes (corticoides, imunossupressores).
Monitorização rigorosa de glicemia em pacientes críticos ou pós-transplante.
Orientação familiar e emocional, especialmente em diabetes infantil ou gestacional.
A atuação da enfermagem é essencial para prevenir descompensações agudas (como cetoacidose e síndrome hiperosmolar) e promover adesão terapêutica segura e contínua.
Referências Bibliográficas
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Diretrizes da SBD 2023–2024. São Paulo: SBD, 2024.
American Diabetes Association (ADA). Standards of Medical Care in Diabetes – 2024. Diabetes Care, 47(Suppl.1): S1–S188, 2024.
World Health Organization (WHO). Classification of Diabetes Mellitus. Geneva: WHO, 2022.
Holt, R. I. G. et al. Textbook of Diabetes. 6. ed. Wiley-Blackwell, 2021.
Guyton, A. C.; Hall, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
Smeltzer, S. C.; Bare, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Guanabara Koogan, 2020.
Gostou dessa informação? Então compartilhe esse conteúdo com colegas e familiares. Informação confiável salva vidas!
Siga a gente no IG @praticaenfermagem para saber mais.
Conheça nossos cursos: https://www.praticaenfermagem.com/
Conheça nossa pós-graduação: https://praticaensino.com.br/



Comentários