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Um Problema Subestimado: Entenda a Dermatite Associada à Umidade (DAI) e Como Proteger Sua Pele

A Dermatite Associada à Incontinência (DAI) é o tipo mais comum de lesão de pele associada à umidade (conhecida como MASD, na sigla em inglês), sendo uma condição inflamatória aguda e importante da pele. Caracterizada como uma dermatite irritativa de contato, a DAI surge devido à exposição prolongada da pele a efluentes, como urina, fezes ou a combinação de ambos, afetando o períneo e áreas adjacentes.


Embora o termo "dermatite de fraldas" seja frequentemente associado a bebês, a DAI é uma preocupação crescente em adultos, especialmente em idosos e pacientes hospitalizados, devido à alta prevalência de incontinência nesses grupos.



O Que Causa a DAI?


O desenvolvimento da DAI é multifatorial e se dá pela exposição prolongada da pele a agentes irritantes, que culmina em inflamação.


Os principais fatores etiológicos envolvem:


  1. Ação de Irritantes Químicos: A exposição contínua e frequente à urina e às fezes introduz substâncias químicas agressivas na pele. A ureia e a amônia, juntamente com enzimas digestivas presentes nas fezes (lipases e proteases), atacam a barreira cutânea.


  2. Alteração do pH: O contato com as eliminações, especialmente a incontinência dupla (fecal e urinária), eleva o pH da pele, tornando-a mais alcalina. Esse aumento do pH ativa as enzimas fecais, que são mais ativas em pH neutro ou ligeiramente alcalino, resultando na quebra de proteínas e na erosão da epiderme.


  3. Umidade e Maceração: A hiper-hidratação causada pela umidade excessiva (maceração) enfraquece a camada externa da pele, reduzindo sua capacidade de tolerar agressões. O uso de dispositivos oclusivos, como fraldas, aumenta a temperatura local e a umidade, intensificando o dano.


  4. Fricção: O atrito da pele com as fraldas ou durante a limpeza (fricção) também contribui para a ruptura da barreira cutânea, facilitando a penetração de irritantes e agentes infecciosos.



Quem Está em Risco?


Embora qualquer paciente com incontinência possa desenvolver DAI, alguns grupos e condições aumentam significativamente a vulnerabilidade, como:


  • Idosos e Dependentes: A idade avançada já implica fragilidade cutânea e maior nível de dependência funcional. Pacientes muito dependentes têm um risco 2,4 vezes maior de desenvolver DAI.


  • Pacientes Críticos ou Hospitalizados: A prevalência de DAI pode ser alta em ambientes hospitalares, chegando a 36,2% em idosos internados. Fatores como tempo de internação superior a 15 dias (risco 5 vezes maior), uso de sonda enteral e oxigenoterapia foram associados a maior risco.


  • Pacientes com Fezes Líquidas: Pacientes com fezes líquidas apresentam maior risco de DAI (1,91 vezes maior) devido à riqueza em enzimas digestivas.


  • Obesidade: A obesidade (IMC alterado) também se mostrou um fator de risco, aumentando as chances de desenvolver a dermatite em 3,6 vezes em idosos, devido a maior oclusão e carga na pele.


  • Pacientes com Trauma ou Transtornos Mentais: Pacientes com admissão por trauma ou diagnosticados com Transtornos Mentais e Comportamentais também apresentaram maior risco para DAI, possivelmente devido à dificuldade na mobilização e higiene.



Como a DAI se Manifesta e Suas Complicações


Clinicamente, a DAI apresenta-se como uma inflamação da pele na região perineal, perigenital, perianal e dobras cutâneas. Os sintomas comuns incluem ardor, dor e prurido (coceira).


Os sinais dermatológicos podem variar de gravidade:


  • Estágios Iniciais: Eritema persistente (vermelhidão brilhante) de diferentes intensidades, com ou sem edema. A cor da lesão pode ser vermelho brilhante em peles claras e mais sutil ou escura em peles mais pigmentadas.


  • Estágios Avançados: Pode progredir para erosão da epiderme, vesículas, pápulas, exulcerações (Úlceras de Jacquet) e exsudação serosa (aspecto brilhante da pele).


É crucial diferenciar a DAI de outras lesões, como a Lesão por Pressão (LP), especialmente nos estágios iniciais, pois ambas são frequentemente confundidas. A DAI é uma lesão de pele que tem direta interligação com lesões por pressão mais graves. De fato, a DAI é um fator de risco para LP, pois a pele debilitada aumenta a suscetibilidade à fricção e à pressão.


Uma complicação frequente da DAI é a Candidíase (infecção fúngica), que pode ocorrer em até 77% dos casos em ambientes úmidos. A presença de lesões satélites (pápulas ou vesículas) é um sinal chave para identificar essa infecção associada.



Estratégias de Prevenção e Cuidados


O manejo da DAI e a manutenção da integridade da pele dependem de intervenções sistemáticas focadas em limpeza, proteção e manejo da incontinência.


1. Manejo da Umidade e Incontinência:


  • Trocas Frequentes: Trocar a fralda o mais breve possível após cada evacuação ou micção. Recomenda-se a troca a cada 3 horas para diurese e a cada episódio de eliminação intestinal.


  • Dispositivos Adequados: Utilizar fraldas superabsorventes e com tamanho adequado, que ajudem a manter os fluidos longe da pele.


  • Exposição ao Ar: Promover curtos períodos durante o dia sem fraldas para arejar a região afetada.


  • Manejo Fecal: Em casos de incontinência fecal persistente e fezes líquidas, pode-se considerar o uso de sistemas para incontinência fecal (dispositivos de contenção temporários de fezes).


2. Limpeza da Pele:


  • Higiene Suave: Limpar a pele delicadamente, sem friccionar ou esfregar, para evitar atrito e ruptura da pele.


  • Produtos Adequados: Recomenda-se a utilização de água morna e sabão líquido neutro (pH ácido ou fisiológico, entre 5,0 e 6,0). Evitar sabonetes em barra e produtos que contenham fragrâncias ou álcool, que podem ressecar a pele e torná-la alcalina.


3. Proteção e Hidratação:


  • Cremes Barreira: Após a limpeza, aplicar cremes de barreira (como óxido de zinco, petrolato ou dimeticona) para proteger a pele do contato com irritantes.


  • Uso Consistente: Aplicar o creme de barreira em camada que cubra toda a área exposta, não sendo necessária a remoção completa da camada protetora nas trocas subsequentes, caso não haja resíduos de fezes.


4. Tratamento de Complicações:


  • Em caso de candidíase (infecção fúngica): Utilizar pomada antifúngica (como Nistatina ou Miconazol) associada ou não ao óxido de zinco. Se não houver melhora em 72 horas, a mudança de antifúngico deve ser considerada.


  • Lesões Úmidas/Ulceradas: Para áreas exsudativas, pode-se utilizar pó para estoma.


O conhecimento sobre a DAI e a implementação de intervenções baseadas em evidências são essenciais para evitar complicações, diminuir o tempo de internação e, principalmente, reduzir o sofrimento físico e psicológico dos pacientes. A DAI é um problema de saúde que exige vigilância contínua e intervenções de cuidado bem estruturadas.

 

  

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