O Papel do Enfermeiro no Pós-Operatório Ortopédico
- praticenfgp
- 22 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
O período pós-operatório (PO) de cirurgias ortopédicas é uma fase crucial que determina o sucesso da intervenção e a rapidez da reabilitação do paciente. Neste cenário, o enfermeiro desempenha um papel indispensável no gerenciamento integral do cuidado, atuando para prevenir complicações e otimizar a recuperação funcional.
A assistência de enfermagem ao paciente ortopédico deve ser individualizada e sistematizada, iniciando-se na internação e estendendo-se até a alta terapêutica.
Principais Focos do Cuidado de Enfermagem no Pós-Operatório
O PO divide-se classicamente em Imediato (POI), que vai da alta da Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) até as primeiras 48 horas, e Mediato, que se estende até a alta hospitalar. As ações de enfermagem são organizadas para atender às necessidades complexas do paciente durante essas fases.
1. Controle Rigoroso da Dor (Dor Aguda)
A dor aguda é um diagnóstico de enfermagem extremamente frequente no POI, sendo identificada em 100% dos pacientes em um estudo sobre cirurgias eletivas. A dor é uma sensação íntima e exclusiva que, se não tratada adequadamente, afeta a qualidade de vida e a recuperação geral do paciente.
As intervenções de enfermagem para dor incluem:
Avaliação Completa: Realizar uma avaliação completa da dor (local, características, início, duração, intensidade/gravidade), investigando também indicadores não verbais de desconforto, especialmente em pacientes com dificuldades de comunicação.
Comunicação Terapêutica: Reconhecer a experiência de dor e transmitir aceitação da resposta do paciente.
Controle Ambiental: Monitorar fatores ambientais que possam influenciar a dor.
Tratamento Farmacológico: Administrar analgésicos conforme prescrição e reavaliar o paciente após a administração.
A dor aguda está diretamente relacionada a outros déficits comuns no PO ortopédico, como a mobilidade física prejudicada e o déficit no autocuidado (banho, vestir-se, higiene íntima).
2. Prevenção de Infecções e Cuidado com a Ferida Operatória (FO)
O risco de infecção é um diagnóstico de risco presente em 100% dos pacientes no POI de cirurgias eletivas. O ato cirúrgico rompe a barreira epitelial o que facilita o processo infeccioso. A infecção relacionada à fratura (Fracture-related infection - FRI) é uma complicação grave do trauma musculoesquelético.
O enfermeiro deve:
Monitorar Sinais Vitais: Controlar rigorosamente parâmetros vitais.
FO e Drenos: Observar e registrar o aspecto da ferida operatória, incluindo a presença de sangramento. O manejo de drenos (volume e aspecto do exsudato) é crucial para evitar hematomas que possam interferir na cicatrização.
Monitoramento Neurovascular: Avaliar a perfusão periférica, motricidade e sensibilidade do membro operado para detectar complicações (cianose, edema, calor, alteração de sensibilidade).
Antimicrobianos: A profilaxia antimicrobiana cirúrgica é fundamental. No PO, o enfermeiro deve estar atento à prescrição de antibióticos; a responsabilidade de prescrever no PO mediato geralmente cabe à equipe cirúrgica, e a comunicação clara é vital para evitar o uso desnecessário de antibióticos.
Em Casos de Reconstrução Complexa (Retalhos):
O monitoramento da viabilidade do retalho é considerado o cuidado fundamental e essencial no pós-operatório, sendo um preditor importante de sucesso ou falha do procedimento.
Monitoramento Clínico: Observar a coloração, temperatura, perfusão e turgor do retalho, especialmente nas primeiras 72 horas. Este monitoramento é realizado por cirurgiões e enfermeiros treinados.
3. Mobilidade e Posicionamento: Recuperação Funcional e Segurança
O diagnóstico de mobilidade física prejudicada é altamente prevalente no POI, geralmente relacionada à dor e à perda de integridade de estruturas ósseas.
As estratégias de mobilidade e segurança incluem:
Posicionamento Adequado: Manter o membro operado em posição anatômica e, frequentemente, elevado, visando diminuir o edema e a dor, facilitando o retorno venoso e linfático. É fundamental evitar a compressão e o tracionamento das áreas de anastomose (em casos de retalhos).
Prevenção de Lesões por Pressão: O risco de quedas e integridade da pele prejudicada são preocupações importantes. É necessário monitorar áreas de pressão (como o calcâneo em dispositivos de tração).
Mobilização Precoce: Estimular movimentos ativos e passivos das articulações livres (não imobilizadas), pois isso previne complicações como edema e dor.
4. O Cuidado Integral e a Transição
O enfermeiro não foca apenas na lesão, mas na avaliação integral do paciente, contemplando as esferas clínica, emocional e social.
Autocuidado: Déficits no autocuidado são comuns. O enfermeiro assiste na higiene e estimula a independência do paciente.
Gastrointestinal: A constipação é um risco elevado devido à imobilidade e alterações dietéticas. As intervenções incluem monitorar, orientar sobre ingestão hídrica e alimentos ricos em fibras.
Educação em Saúde e Alta: A transição de cuidados para o domicílio é um momento crucial. A educação em saúde deve ser contínua e inclui orientações sobre:
Cuidados com a FO (troca de curativo, reconhecimento de complicações).
Uso correto de medicamentos e anticoagulantes.
Uso de dispositivos de apoio (muletas, imobilizador).
Posicionamento correto do membro.
Ações de autocuidado e reconhecimento de sinais de alerta.
O planejamento de alta realizado pelo enfermeiro assegura a continuidade dos cuidados e o sucesso terapêutico.
Conclusão: A Importância do Protocolo no Cuidado Ortopédico
O cuidado pós-operatório ortopédico exige conhecimento específico, foco em ações preventivas e abordagem sistemática. Embora a padronização dos protocolos de cuidados no PO ortopédico ainda seja controversa entre grandes centros, a adoção de um protocolo específico é uma ferramenta importante para nortear o enfermeiro, reduzindo a incidência de complicações e falhas.
O enfermeiro, por permanecer mais tempo inserido no cotidiano do cuidado, é o profissional mais apto a realizar a avaliação constante, a monitorização rigorosa e a educação em saúde que garantem a segurança e a recuperação plena do paciente cirúrgico ortopédico. O sucesso da cirurgia depende da cooperação coordenada de toda a equipe, incluindo a experiência da enfermagem no manejo pós-operatório.
O cuidado de enfermagem, como a bússola que guia o navio de volta ao porto após a tempestade, garante que o paciente, após o trauma cirúrgico, encontre o caminho mais seguro e rápido para a recuperação funcional.
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