Higienização das Mãos: O que Ficou no Passado e o que é Norma Hoje?
A higienização das mãos é reconhecida mundialmente como o pilar principal na prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). No entanto, o que muitos profissionais e gestores ainda não perceberam é que as técnicas evoluíram. Com base nas evidências científicas mais recentes, práticas que antes eram comuns foram retiradas ou desaconselhadas para garantir a segurança do paciente e a integridade da pele do profissional.
Abaixo, organizamos os principais pontos que foram retirados ou modificados no passo a passo oficial.
1. O Fim do Uso de Escovas (Escovação)
Uma das mudanças mais significativas ocorreu no preparo pré-operatório. O uso de escovas para limpar a pele ou debaixo das unhas foi oficialmente retirado das recomendações.
Por que mudou? Escovas podem causar microlesões na pele, favorecendo a colonização por microrganismos.
O que fazer agora: Deve-se utilizar apenas uma esponja macia e não abrasiva para a antissepsia cirúrgica e limpadores de unha específicos, se disponíveis, para a limpeza subungueal.
2. Secadores de Ar Quente: Proibidos em Áreas Assistenciais
Embora comuns em banheiros públicos, os secadores elétricos de ar quente não são indicados para as áreas de assistência à saúde.
Os riscos: Eles são menos eficazes na secagem total, podem dispersar microrganismos no ambiente e causam maior ressecamento e irritação na pele do profissional.
A norma: O uso de papel-toalha descartável continua sendo o método preferido por ser mais seguro e eficiente.
3. Uso Concomitante de Sabonete e Álcool
A prática de lavar as mãos com água e sabão e, imediatamente depois, aplicar álcool em gel foi retirada por ser considerada desnecessária e prejudicial.
O impacto: Essa combinação aumenta drasticamente o risco de dermatites e ressecamento severo, além de elevar os custos sem oferecer benefício adicional na redução da carga microbiana.
A regra de ouro: Se as mãos estão visivelmente sujas, use água e sabonete. Se estão limpas, use apenas a preparação alcoólica.
4. A Retirada Obrigatória de Adornos
A técnica atual exige a retirada total de anéis, pulseiras e relógios antes de qualquer procedimento de higiene.
O motivo: Estes objetos impedem a limpeza adequada da pele e servem como reservatórios para microrganismos patogênicos, sendo proibidos pela NR 32/2005.
5. Higienização dos Punhos: Foco em Áreas Específicas
No passo a passo ilustrado para a técnica básica (higiene simples e fricção alcoólica), a limpeza dos punhos deixou de constar como um passo numerado padrão para todas as situações.
Atenção especial: A higienização dos punhos e antebraços agora é indicada especificamente para unidades de cuidados neonatais, pediátricos ou em procedimentos cirúrgicos.
6. Substituição de Insumos: Sabonete em Barra e Triclosan
Sabonete em barra: Foi retirado dos serviços de saúde por ser um potencial reservatório de bactérias como a Pseudomonas aeruginosa. A recomendação é o uso exclusivo de sabonete líquido ou espuma, preferencialmente em sistemas de refil descartável.
Triclosan: O uso deste antisséptico foi descontinuado em diversos cenários e proibido em sabonetes de consumo devido à falta de comprovação de benefício clínico e riscos de resistência bacteriana.
7. Esmaltes e Unhas Postiças
Para garantir a eficácia da técnica, o uso de unhas postiças foi retirado da rotina de quem tem contato direto com pacientes. Além disso, para equipes cirúrgicas, o uso de esmalte e gel de unha é proibido, pois podem abrigar microrganismos em suas fissuras.
Conclusão
Atualizar-se sobre o que foi retirado das técnicas de higienização das mãos é tão importante quanto saber os passos corretos. Menos acessórios, menos abrasão e o uso inteligente dos produtos (álcool ou sabonete, nunca os dois juntos) garantem uma assistência mais segura para o paciente e mãos mais saudáveis para o profissional.
Bibliografia Utilizada
Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higiene das Mãos. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. 2ª. Edição. Brasília: ANVISA, 2026. 135 p. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br.
Gostou do conteúdo? Compartilhe com seus colegas de profissão e amigos.
Siga a gente no IG @praticaenfermagem para saber mais.
Conheça nossos cursos: https://www.praticaenfermagem.com/
Conheça nossa pós-graduação: https://praticaensino.com.br/




Comentários