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O Novo Marco da Enfermagem em Reabilitação: Entenda as Mudanças das Resoluções COFEN nº 728/2023 e nº 803/2026

há 10 horas
4 min de leitura

A enfermagem é uma ciência em constante evolução, expandindo suas fronteiras para responder às demandas complexas da sociedade e do sistema de saúde. Uma das áreas que mais tem ganhado destaque e normatização robusta é a Enfermagem em Reabilitação.


Se você atua na área ou deseja se especializar, precisa estar atento às recentes atualizações do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). A Resolução COFEN nº 728 de 09 de Novembro de 2023, que originalmente normatizou a atuação da equipe de enfermagem neste segmento [3, 6], passou por uma reformulação profunda com a aprovação da Resolução COFEN nº 803 de 12 de Março de 2026.


Neste artigo, vamos explicar detalhadamente o que mudou, quais são as atribuições privativas do enfermeiro e como a equipe de enfermagem (incluindo técnicos e auxiliares) deve atuar para garantir uma assistência segura, legal e de alta qualidade.



O que é a Enfermagem em Reabilitação?


De acordo com as diretrizes do COFEN, a enfermagem de reabilitação visa promover a segurança assistencial em todos os níveis de atenção à saúde, atuando de forma coesa para garantir a promoção da saúde, a recuperação funcional e a satisfação do paciente e de sua rede de apoio.


A equipe de reabilitação é composta por:

  • Enfermeiro (geral);

  • Enfermeiro de Reabilitação (profissional com titulação de especialista na área);

  • Técnico de Enfermagem;

  • Auxiliar de Enfermagem.



O que Mudou com a Resolução COFEN nº 803/2026?


A grande inovação da Resolução COFEN nº 803/2026 foi a substituição completa do anexo da norma anterior, reorganizando a atuação em cinco grandes áreas de competência (anteriormente eram quatro). O COFEN reconheceu expressamente a capacidade da enfermagem de inovar e prescrever soluções tecnológicas aplicadas à reabilitação.


Abaixo, detalhamos cada uma dessas cinco áreas de atuação e as responsabilidades de cada membro da equipe:


1. Assistência Direta em Reabilitação


Esta área envolve todos os cuidados sistematizados e contínuos focados na pessoa em processo de reabilitação e sua rede de apoio, visando a recuperação funcional, autonomia e qualidade de vida.


  • Atribuição da Equipe (Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares): Prestar assistência direta centralizada nas dimensões físicas, funcionais, emocionais e sociais.


  • Privativo do Enfermeiro:

    • Realizar a avaliação integral do paciente (identificando necessidades, riscos e potencialidades).

    • Prescrever os cuidados de enfermagem voltados à reabilitação funcional e/ou estética.

    • Planejar, executar e monitorar cuidados com tecnologias complexas e dispositivos especializados.

    • Supervisionar, orientar e avaliar o trabalho dos técnicos e auxiliares de enfermagem no ambiente de reabilitação.


2. Gestão do Cuidado


A coordenação e organização do serviço são competências exclusivas (privativas) do Enfermeiro. No exercício da gestão, compete ao profissional:

  • Coordenar a equipe de enfermagem de reabilitação (atribuição desempenhada preferencialmente por enfermeiro com formação ou experiência na área);

  • Articular o cuidado com redes de apoio formal e informal, bem como com a equipe multiprofissional;

  • Garantir a acessibilidade e o cumprimento das normas de arquitetura universal nos ambientes de cuidado;

  • Operacionalizar e manter ativo o sistema de referência e contrarreferência dos pacientes;

  • Fomentar a educação permanente para a equipe de enfermagem.


3. Educação em Saúde


Processo educativo focado na autonomia do paciente e no engajamento de seus familiares/rede de apoio. É uma atividade desempenhada por toda a equipe de enfermagem, que deve:

  • Planejar e executar estratégias educativas personalizadas;

  • Orientar sobre os agravos e condições que geraram a necessidade de reabilitação;

  • Ensinar o manejo adequado de comorbidades associadas e a prevenção de complicações.


4. Ensino e Pesquisa


Competência voltada para a qualificação científica e formação profissional. Sob liderança do enfermeiro, includes:

  • Desenvolvimento e atualização de protocolos clínicos baseados em evidências nacionais e internacionais;

  • Fomento e realização de pesquisas científicas no setor;

  • Propostas de inclusão de componentes teórico-práticos de Reabilitação nas grades curriculares de cursos técnicos, graduações e pós-graduações;

  • Articulação com o Ministério da Educação (MEC) para a oferta de especializações em nível nacional.


5. Desenvolvimento de Materiais e Tecnologias Inovadoras (A Grande Novidade!)


Esta quinta área foi formalmente inserida em 2026 e representa um marco histórico.

Ela regulamenta a atuação da enfermagem na avaliação, incorporação e prescrição de tecnologias assistivas. Compete à enfermagem:

  • Avaliar clinicamente o paciente, indicar e prescrever órteses, próteses e materiais especiais (OPME) para reabilitação, considerando as necessidades funcionais, estéticas e terapêuticas;

  • Participar do planejamento, confecção, ajuste e desenvolvimento de órteses e próteses integrando equipes multiprofissionais;

  • Monitorar sistematicamente o uso e os efeitos desses dispositivos no paciente, realizando os ajustes clínicos necessários para assegurar conforto, segurança e adesão ao tratamento.


Atribuições de Destaque: Enfermeiro Geral vs. Especialista em Reabilitação


Embora as atividades privativas do Enfermeiro se apliquem a todos os profissionais de nível superior da categoria, o COFEN estabelece que algumas funções estratégicas devem ser exercidas preferencialmente pelo Enfermeiro de Reabilitação (Especialista):

  1. Coordenação da equipe e do Processo de Enfermagem voltado à reabilitação;

  2. Realização da Consulta de Enfermagem de Reabilitação;

  3. Coordenação dos cuidados de reabilitação vesicointestinal e de integridade da pele;

  4. Indicação e aplicação de escalas e instrumentos especializados de avaliação;

  5. Encaminhamento do paciente para outras especialidades de enfermagem ou outros profissionais da saúde.


Nota Importante: Os Enfermeiros Responsáveis Técnicos (RTs) por serviços de enfermagem de reabilitação devem, preferencialmente, ser especialistas titulados na área. Caso o enfermeiro institua uma Empresa Prestadora de Serviços de Reabilitação, o registro da empresa no respectivo Conselho Regional de Enfermagem (COREN) é obrigatório.



Conclusão: O Impacto na Prática Profissional


As Resoluções COFEN nº 728/2023 e nº 803/2026 elevam o patamar da Enfermagem in Reabilitação ao conferir respaldo ético, legal e científico para uma atuação avançada. A inclusão explícita da prescrição e acompanhamento de órteses e próteses reconhece o papel clínico decisivo que o enfermeiro exerce à beira do leito e nos serviços ambulatoriais.


Para as instituições de saúde, as normas servem como guia para o dimensionamento adequado das equipes e a estruturação de protocolos clínicos mais robustos. Para os profissionais, abre-se um vasto campo de especialização, pesquisa e inovação tecnológica.



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