Cetoacidose e Parada Cardíaca: O Perigo Oculto no Manejo da Insulina
- praticenfgp
- há 13 minutos
- 2 min de leitura
Um dos cenários mais críticos e frequentes nos prontos-socorros de todo o mundo envolve pacientes diabéticos que, por diversos motivos, interrompem o tratamento insulínico. Recentemente, o canal Prática Enfermagem trouxe um estudo de caso que serve como um alerta vital para profissionais de saúde: o caso de uma paciente que evoluiu para uma Parada Cardiorrespiratória (PCR) justamente durante o tratamento da sua hiperglicemia.
O Quadro Clínico Inicial
A paciente, AC, 55 anos, diabética tipo 2, interrompeu o uso de insulina há três dias devido a um quadro viral. Ela chegou à emergência apresentando:
Sinais de gravidade: Sonolência, hálito cetônico e respiração de Kussmaul (característica de acidose severa).
Sinais Vitais: Pressão arterial baixa (90x50 mmHg), frequência cardíaca de 125 bpm e saturação de 92%.
Exames: Glicemia capilar acusando "HI" (valor real de 600 mg/dL) e uma gasometria com pH de 6,95.
Um pH abaixo de 7 é considerado incompatível com a vida, indicando que o corpo não tolera esse nível de acidemia por muito tempo. Além disso, o bicarbonato estava em 5 (muito baixo) e o CO2 em 20, tentando compensar o distúrbio metabólico.
O Manejo e a Armadilha do Potássio
O tratamento inicial padrão para esses casos foca em dois pilares: hidratação (para diluir a glicose e evitar hipovolemia) e insulinoterapia em bomba de infusão contínua.
No entanto, o potássio da paciente estava no limite inferior (3.2 mEq/L). O grande risco aqui é que a insulina provoca a translocação do potássio do sangue para dentro das células. Se o potássio já está baixo e iniciamos insulina, ele pode cair a níveis fatais, causando arritmias severas.
A Intercorrência: PCR em Ritmo de FV
Após 60 minutos de insulinoterapia, a paciente apresentou bradicardia seguida de PCR em Fibrilação Ventricular (FV). Durante as manobras de reanimação, após o terceiro choque e a administração de adrenalina e amiodarona, um novo exame laboratorial revelou a causa da parada: uma hipocalemia severa (Potássio 2.0).
Foi necessária a administração imediata de Cloreto de Potássio (KCl) durante a RCP para corrigir a causa base da arritmia. Somente após essa correção e o quarto ciclo de compressões, a paciente apresentou Retorno da Circulação Espontânea (RCE) com ritmo sinusal.
Lições para a Prática Profissional
Este caso reforça a importância do raciocínio clínico na enfermagem e na medicina de emergência:
Monitore o Potássio: De acordo com o protocolo, a infusão de insulina deve ser suspensa se o potássio sérico estiver abaixo de 3.3 mEq/L, até que a reposição eletrolítica seja feita.
Cuidado Pós-Ressuscitação: Após a volta do pulso, o paciente deve ser estabilizado com noradrenalina (se necessário), sedação, analgesia e encaminhado para a UTI.
Conhecimento Salva Vidas: Entender o "porquê" de cada conduta impede que o profissional apenas execute tarefas mecanicamente e permite que ele antecipe riscos fatais.
A emergência e a terapia intensiva exigem domínio constante para que o profissional se torne uma referência segura por onde passar.
Quer conferir a análise detalhada desse caso e ver as explicações sobre os ciclos da RCP?
Assista ao vídeo completo aqui: PACIENTE DIABÉTICO SUSPENDEU A INSULINA E FOI PARAR NA EMERGÊNCIA com ACIDOSE METABÓLICA
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