Atualizações da Caderneta de Vacinação da Criança em 2026: o que profissionais e famílias precisam saber
A caderneta de vacinação da criança é um dos instrumentos mais importantes para acompanhar a proteção contra doenças imunopreveníveis ao longo da infância. Mais do que um simples registro de doses aplicadas, ela orienta famílias e profissionais de saúde sobre quais vacinas devem ser administradas em cada fase do crescimento.
Em 2026, o Calendário Nacional de Vacinação da Criança mantém mudanças importantes que precisam estar no radar da equipe de enfermagem, especialmente nas salas de vacina, consultas de puericultura, triagens, atendimentos ambulatoriais e ações de busca ativa.
Entre os principais pontos de atenção estão a vacina contra influenza incorporada à rotina infantil, o esquema contra covid-19 para crianças pequenas, o uso exclusivo da vacina inativada contra poliomielite, a ampliação do prazo para vacinação contra rotavírus e o reforço com meningocócica ACWY aos 12 meses.
O que é a Caderneta da Criança?
A Caderneta da Criança é um documento entregue gratuitamente à família no momento da alta hospitalar, tanto em maternidades públicas quanto privadas. Ela acompanha a criança desde o nascimento até os 9 anos de idade e reúne informações sobre crescimento, desenvolvimento, alimentação, saúde bucal, prevenção de acidentes, direitos da criança e situação vacinal.
Na prática, ela funciona como um documento de acompanhamento integral da saúde infantil. Por isso, deve ser preenchida corretamente pelos profissionais de saúde e levada pela família em todos os atendimentos, principalmente nas consultas de rotina e nas visitas à sala de vacinação.
Quando a caderneta está atualizada, a equipe consegue identificar atrasos, orientar os responsáveis e evitar oportunidades perdidas de vacinação.
Caderneta física e Caderneta Digital da Criança
A caderneta física continua sendo distribuída, mas o Ministério da Saúde também disponibiliza a Caderneta Digital da Criança pelo Meu SUS Digital.
Na versão digital, é possível acompanhar o histórico de vacinas, consultar próximas doses e receber alertas sobre o momento correto de vacinação. Essa ferramenta pode ajudar famílias e profissionais a manterem o calendário mais organizado, especialmente em crianças que realizam acompanhamento em diferentes serviços de saúde.
Apesar da facilidade da versão digital, a caderneta física ainda deve ser preservada e apresentada sempre que possível, pois continua sendo um documento importante para registro, conferência e acompanhamento da criança.
Principais atualizações e pontos de atenção em 2026
1. Influenza passa a fazer parte da rotina da criança
Um dos pontos mais importantes do calendário atual é a presença da vacina influenza trivalente na rotina de vacinação de crianças de 6 meses a menores de 6 anos.
Isso significa que a vacina contra gripe não deve ser lembrada apenas durante campanhas sazonais. Para esse público, ela passa a compor a rotina de vacinação, com recomendação anual.
Crianças que recebem a vacina influenza pela primeira vez devem tomar duas doses, com intervalo de 30 dias. Já aquelas que foram vacinadas em anos anteriores recebem uma dose por ano.
Para a enfermagem, esse é um ponto importante na avaliação da caderneta, porque muitas famílias ainda associam a vacina da gripe apenas a campanhas específicas. A orientação deve reforçar que a influenza pode causar quadros graves em crianças pequenas e que a vacinação anual ajuda a reduzir complicações, hospitalizações e formas graves da doença.
2. Vacinação contra covid-19 segue no calendário infantil
A vacinação contra covid-19 permanece no Calendário Nacional de Vacinação para crianças a partir dos 6 meses e menores de 5 anos.
No calendário da criança, a primeira dose aparece aos 6 meses, a segunda dose aos 7 meses e a terceira dose aos 9 meses, conforme o imunizante utilizado. O esquema pode variar de acordo com a vacina disponível e a situação clínica da criança.
De forma geral, o calendário prevê:
esquema com 2 doses, aos 6 e 7 meses, quando utilizada a vacina Spikevax;
esquema com 3 doses, aos 6, 7 e 9 meses, quando utilizada a vacina Comirnaty;
para crianças imunocomprometidas, esquema com 3 doses e doses periódicas a cada 6 meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Esse ponto exige atenção da equipe de enfermagem porque ainda existem dúvidas frequentes sobre a permanência da vacina contra covid-19 no calendário infantil. A orientação deve ser clara: a vacinação contra covid-19 faz parte da proteção de rotina para crianças pequenas, especialmente para prevenir formas graves e óbitos.
3. Poliomielite: reforço com vacina inativada
Outra mudança importante consolidada no calendário é a substituição das doses de reforço da vacina oral contra poliomielite pela vacina poliomielite inativada, a VIP.
Na prática, o esquema da criança utiliza a VIP aos 2, 4 e 6 meses, com reforço aos 15 meses. Esse reforço também passa a ser feito com vacina inativada.
Esse ponto é relevante porque, por muitos anos, a gotinha ficou fortemente associada à vacinação contra poliomielite no imaginário da população. Porém, o calendário atual prioriza a vacina inativada, administrada por via injetável.
A enfermagem tem papel essencial em explicar essa mudança para as famílias, evitando a interpretação equivocada de que “a vacina acabou” ou que a criança deixou de ser protegida. A proteção continua, mas com outro tipo de vacina.
4. Rotavírus: ampliação do prazo para aplicação
A vacina rotavírus humano também merece atenção no calendário 2026, principalmente por causa dos prazos de aplicação.
A primeira dose, indicada aos 2 meses, pode ser aplicada entre 1 mês e 15 dias e 11 meses e 29 dias. A segunda dose, indicada aos 4 meses, pode ser aplicada entre 3 meses e 15 dias e 23 meses e 29 dias, respeitando o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
Essa ampliação do prazo reduz oportunidades perdidas de vacinação, mas não elimina a necessidade de avaliação cuidadosa da idade da criança e do histórico vacinal.
Para a equipe de enfermagem, é essencial conferir a data de nascimento, a dose anterior e o intervalo mínimo antes da administração. Caso a primeira dose não tenha sido feita dentro do período indicado, a criança perde a oportunidade de completar o esquema contra rotavírus.
5. Meningocócica ACWY como reforço aos 12 meses
No calendário 2026, a criança recebe a meningocócica C aos 3 e 5 meses. Aos 12 meses, o reforço deve ser feito preferencialmente com a vacina meningocócica ACWY.
Essa atualização amplia a proteção contra doença meningocócica causada pelos sorogrupos A, C, W e Y.
Na prática, a equipe precisa observar que a criança não recebe apenas “mais uma dose de meningo C” aos 12 meses. O reforço previsto no calendário é com a meningocócica ACWY, respeitando as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.
Essa mudança é importante porque a doença meningocócica pode evoluir rapidamente e apresentar alta gravidade, especialmente em crianças pequenas.
6. Febre amarela: rotina aos 9 meses e reforço aos 4 anos
A vacina febre amarela segue indicada aos 9 meses, com reforço aos 4 anos.
O calendário também prevê uma situação excepcional: a vacinação entre 6 e 8 meses pode ser recomendada quando há alto risco de exposição à febre amarela e não é possível adiar a vacinação.
Essa decisão deve ser feita após avaliação do serviço de saúde, especialmente para crianças que vivem ou vão viajar para áreas com transmissão ativa.
Em caso de viagem, a vacina deve ser administrada com antecedência mínima de 10 dias, tempo necessário para o desenvolvimento da proteção.
Para a enfermagem, isso reforça a importância da escuta qualificada durante a triagem vacinal. Perguntar sobre local de moradia, viagens programadas e risco epidemiológico pode mudar a conduta.
Como fica o calendário da criança em 2026?
A seguir, um resumo do calendário de vacinação da criança em 2026:
Ao nascer
BCG: dose única;
Hepatite B: 1 dose.
2 meses
Penta: 1ª dose;
VIP: 1ª dose;
Pneumocócica 10-valente: 1ª dose;
Rotavírus humano: 1ª dose.
3 meses
Meningocócica C: 1ª dose.
4 meses
Penta: 2ª dose;
VIP: 2ª dose;
Pneumocócica 10-valente: 2ª dose;
Rotavírus humano: 2ª dose.
5 meses
Meningocócica C: 2ª dose.
6 meses
Penta: 3ª dose;
VIP: 3ª dose;
Influenza trivalente: 1ª dose;
Covid-19: 1ª dose.
7 meses
Covid-19: 2ª dose.
9 meses
Febre amarela: 1 dose;
Covid-19: 3ª dose, conforme imunizante utilizado.
12 meses
Pneumocócica 10-valente: reforço;
Meningocócica ACWY: 1 dose;
Tríplice viral: 1ª dose.
15 meses
DTP: 1º reforço;
VIP: reforço;
Tríplice viral: 2ª dose;
Varicela: 1ª dose;
Hepatite A: 1 dose.
4 anos
DTP: 2º reforço;
Febre amarela: reforço;
Varicela: 2ª dose.
5 anos
Pneumocócica 23-valente: indicada somente para crianças indígenas sem histórico vacinal com pneumocócica conjugada.
A partir de 7 anos
dT: indicada conforme histórico vacinal, para complementação de esquemas em atraso ou reforços.
9 a 14 anos
HPV4: 1 dose, conforme histórico vacinal.
Qual é o papel da enfermagem?
A equipe de enfermagem tem uma atuação central na atualização da caderneta de vacinação da criança. Esse trabalho vai muito além da aplicação da vacina.
Entre as principais responsabilidades estão:
avaliar a caderneta física e o registro digital;
identificar doses atrasadas;
conferir idade, intervalo mínimo e histórico vacinal;
orientar os responsáveis sobre próximas doses;
evitar oportunidades perdidas de vacinação;
registrar corretamente as doses aplicadas;
observar contraindicações e situações especiais;
realizar busca ativa de crianças com esquema incompleto;
orientar sobre eventos adversos esperados e sinais de alerta;
reforçar a importância da vacinação como medida de proteção individual e coletiva.
A sala de vacina é um espaço estratégico de cuidado. Cada atendimento é uma oportunidade para atualizar a proteção da criança e esclarecer dúvidas da família.
Cuidados importantes na orientação às famílias
Muitas famílias chegam à sala de vacina com dúvidas, inseguranças ou informações incorretas. Por isso, a comunicação da equipe precisa ser simples, acolhedora e segura.
Algumas orientações importantes são:
levar a caderneta em todos os atendimentos;
não esperar campanha para atualizar vacinas de rotina;
retornar na data indicada para próximas doses;
avisar a equipe sobre doenças recentes, alergias importantes ou uso de medicamentos imunossupressores;
informar viagens programadas, especialmente para áreas com risco de febre amarela;
não deixar de vacinar por medo de eventos leves, como febre baixa ou dor local;
procurar a unidade de saúde em caso de atraso vacinal.
Atraso vacinal não deve ser motivo para julgamento. Deve ser uma oportunidade de acolhimento, orientação e atualização do esquema.
Conclusão
As atualizações da caderneta de vacinação da criança em 2026 reforçam a necessidade de atenção permanente da equipe de enfermagem ao calendário vacinal.
A inclusão da influenza na rotina infantil, a permanência da covid-19 no calendário de crianças pequenas, o uso da VIP no esquema contra poliomielite, a ampliação do prazo para rotavírus e o reforço com meningocócica ACWY são pontos que precisam ser bem compreendidos para garantir uma assistência segura.
Manter a caderneta atualizada é proteger a criança contra doenças graves, reduzir complicações e fortalecer a saúde pública.
Para a enfermagem, cada caderneta conferida é uma chance real de prevenir doenças e salvar vidas.
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta Digital da Criança. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
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